9 bons livros-imagens

Quanto tempo você demora para ler uma página de texto? E para “ler” uma imagem? Achou estranho, né? “Durante muito tempo, ilustrações serviram para tornar o texto mais palatável e visível ao leitor”, explica o escritor e ilustrador Odilon Moraes. Nesses livros, as ilustrações são apenas decorativas, com a função de reforçar o que as palavras já disseram. Já os chamados “livro ilustrado” ou “livro-álbum” são diferentes. Neles, as imagens possuem lugar de destaque, devem ser “lidas” em relação ao texto e enriquecem seu sentido. É preciso bem mais do que uma olhadela para desvendar seus múltiplos significados. Os livros-imagem, aqueles sem palavras, levam essa ideia à máxima potência. Dispensando o texto escrito, contam a narrativa apenas com ilustrações.

A leitura de um livro-imagem é diferente do livro com palavras. “O livro-imagem está mais próximo do mundo das artes plásticas e do cinema do que da literatura. Cada imagem pode ser apreciada como parte de uma sequência, um frame de um filme, como uma pintura em uma parede de uma galeria”, descreve Renato Moriconi, também escritor e ilustrador.

Como ler um livro sem palavras?
Com as palavras ausentes, outros elementos do livro ajudam a construir a história. É essa composição que o leitor deve “ler”. “A ausência de palavras permite que se explore detalhes dos traços, das cores utilizadas, da técnica empregada, da ocupação do espaço na folha, da materialidade do livro”, diz Sandra Medrano, mestre em didática pela Faculdade de Educação da USP e coordenadora pedagógica de projetos de formação em alfabetização e leitura na Comunidade Educativa CEDAC.

Tanto Odilon Moraes quanto Renato Moriconi concordam que nenhum elemento está por acaso em um bom livro-imagem. “Preste atenção em cada detalhe, cada centímetro do livro. O estilo da imagem, o formato do livro, o tipo de papel, as cores…”, recomenda Renato. Para ele, o livro sem palavras mostra a história em vez de contá-las. “Uma “história mostrada” requer um tipo de atenção diferente de uma “história contada”, tanto para ler quanto para a criar”, diz, “É uma obra pra ser lida com os olhos e com as mãos também. Tocar, mudar suas páginas, virar o objeto de cabeça pra baixo… Tudo isso faz parte do processo de leitura de alguns desses livros. Tudo nele é comunicação”. Odilon também ressalta o papel do autor: “ele constrói tudo, planeja todos os detalhes. Os elementos não são gratuitos, se você investigar, vai achar um sentido para eles.” Apesar de não se tratar de uma linguagem subjetiva, Odilon rejeita a ideia de que cada um deve interpretar as imagens como quiser. “O livro-imagem é uma surpresa, claro, mas existe uma história pensada, o autor pensou em como contá-la com desenhos. Em um bom livro imagem, tudo está amarrado”, diz.

Para todas as idades
O livro-imagem pode ser uma boa alternativa para despertar o interesse por livros. “Quando as crianças são menores, as imagens podem ser muito atrativas e portanto o livro-imagem pode aproximá-las desse universo. Mas é preciso considerar que a formação do leitor é um processo, não pode se limitar a um tipo de livro”, orienta Sandra Medrano.

Não há regra para ler um livro imagem com seu filho. Ora a criança pode ter a iniciativa de contar a história, ora o pai assume esse papel. Para Sandra, a relação com o pai ou a mãe nos momentos de leitura é sempre um ponto a mais para a aproximação das crianças com a leitura e os livros. “O importante é seja um momento envolvente e verdadeiro”, aconselha.

Ainda que seja uma ótima opção para as crianças que ainda não sabem ler, a exuberância do livro-imagem não encanta apenas os pequenos. “O livro-imagem não pertence somente ao mundo infantil. Pode-se falar de qualquer tema e para qualquer idade por meio desse tipo de obra”, aponta Renato Moriconi.

O Educar para Crescer pediu aos entrevistados que indicassem alguns títulos para curtir em família. Veja as dicas de bons livros-imagem:

Para ler, clique nos itens abaixo:

[toggle title =”Cântico dos cânticos”]

1. Cântico dos cânticos
Autora: Angela Lago
Editora:Cosac Naify
Quem indica: Renato Moriconi, escritor e ilustrador
Comentário: “Além da beleza das imagens, Angela Lago explora e rompe com a estrutura tradicional dos livros como nunca vi nas obras chamadas infantis. Seu livro não tem começo nem fim. Melhor, tem dois fins e dois começos.”

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[toggle title =”A busca do cavaleiro”]

2. A busca do cavaleiro
Autora: Fernando Vilela
Editora: Escala Educacional
Quem indica: Renato Moriconi, escritor e ilustrador
Comentário: “Em um projeto gráfico que enfatiza o plano horizontal, Fernando Vilela usa a história para expor seu fino trabalho de gravura. Um livro que me cativou pela beleza das imagens.”

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[toggle title =”Do outro lado”]

3. Do outro lado
Autor: Istvan Banyai
Editora: Cosac Naify
Quem indica: Renato Moriconi, escritor e ilustrador
Comentário: “Um livro que é um jogo maluco, surreal. Banyai usa todo espaço disponível do livro pra jogar. Ele atiça a curiosidade do leitor. Somos levados a explorar o livro todo, desde a contracapa, capa, até o verso da orelha, pra saber o que tem do outro lado.”

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[toggle title =”A pequena marionete”]

4. A pequena marionete
Autora: Gabrielle Vincent
Editora: 34
Quem indica: Renato Moriconi, escritor e ilustrador
Comentário: “Os desenhos simples, com traços econômicos e com poucos elementos, nos sugerem um ritmo mais rápido de leitura de cada página, que cria um paralelo deste livro com a linguagem do cinema.”

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[toggle title =”Bárbaro”]

5. Bárbaro
Autor: Renato Moriconi
Editora: Companhia das Letras
Quem indica: Odilon Moraes, escritor e ilustrador
Comentário:“É um dos melhores livros-imagem dos últimos tempos. Renato Moriconi consegue conduzir você a acreditar em uma história e na última página, você precisa reinterpretar tudo o que leu. É um jogo incrível que também mistura fantasia e realidade contrapõe a visão da criança e a do adulto.”

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[toggle title =”Um dia, um cão”]

6. Um dia, um cão
Autora: Gabrielle Vincent
Editora: 34
Quem indica: Odilon Moraes, escritor e ilustrador
Comentário: “É uma narrativa superlinear sobre uma tarde na vida de um cachorro, que cai de um carro. É uma história simples, desenhada só com lápis e sem cor, mas é um dos livros mais cativantes que conheço: limpo, silencioso e muio poético.”

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[toggle title =”A onda”]

7. A onda
Autora: Suzy Lee
Editora:Cosac Naify
Quem indica: Odilon Moraes, escritor e ilustrador
Comentário: “Neste livro, assim como em toda Trilogia da Margem [da qual também fazem parte os livros “A Onda” e “Sombra”], Suzy Lee explora o “objeto livro” como parte integrante da história. Ela usa a margem, isto é, a costura do meio como um elemento do livro. “A Onda” conta a historia da menina, de um lado, e o mar, do outro. É como se a menina fosse defendida por essa costura e quando essa costura desaparece…”

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[toggle title =”A bruxa e o espantalho”]

8. A bruxa e o espantalho
Autor:Gabriel Pacheco
Editora:Jujuba
Quem indica: Sandra Medrano, coordenadora pedagógica de projetos de formação em alfabetização e leitura.
Comentário: “Ambíguo, incerto e improvável. É com essas características que Gabriel Pacheco define suas imagens e é assim que seu livro “A bruxa e o espantalho” se apresenta. Cores marcantes e detalhes sutis que contam a história de um espantalho e uma bruxa e exigem do leitor ir e voltar nas páginas do livro.”

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[toggle title =”E a mosca foi pro espaço”]

9. E a mosca foi pro espaço
Autor: Renato Moriconi
Editora: Escala Educacional
Quem indica: Sandra Medrano, coordenadora pedagógica de projetos de formação em alfabetização e leitura
Comentário: “Para onde foi a mosca que pertubava o sossego de alguém? Para compor a história, este livro reúne a exploração do formato do livro, o envolvimento do leitor como personagem e o conhecimento de uma outra cultura. Vale a pena descobrir com as crianças a surpresa do final”

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Fonte:

Título: Livro-imagem – Educar para Crescer

Link: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/9-bons-livros-imagem-806541.shtml