Batendo nos outros

A filha da Priscilla bate nas pessoas quando elas não fazem a sua vontade.  Como lidar com esse comportamento?

“Toda vez que minha filha é contrariada,  ela levanta o braço e bate.  Nunca é em mim ou no pai, sempre em parentes ou amigos.  Como devo agir quando isso acontecer?  Eu converso com ela todas as vezes e a coloco de castigo por dois minutos, mas não está resolvendo. Ajudem-me!”
Priscilla Souza Maia, 30 anos,  mãe de Isabella, 2

DESAPROVAÇÃO
Com a minha filha,  adianta sentar de frente para ela,  olhando bem em seus olhos,  e dizer,  com uma expressão séria,  que não pode machucar as pessoas.  Peço para a Duda pedir desculpa também. Às vezes,  ela não pede,  mas é importante que perceba que a desaprovo e fique desapontada.

Juliana Oliveira, 32 anos, mãe de Maria Eduarda, 2

MAIS CARINHO

O Pablo também teve essa fase. Como não adiantava brigar, vi que o melhor era ensiná-lo a acariciar. Toda vez que ele batia, eu pegava a mãozinha e fazia carinho, dizendo que carinho é bom (com um sorriso) e bater não é (com cara de triste). Ele logo aprendeu.

Priscila da Costa Vieira 28 anos, mãe do Pablo, 4 e Pietro, 2

AOS POUCOS

A minha Shophie se irrita fácil e logo bate, em especial nas crianças menores que ela. No início, fiquei apavorada. Todos diziam que era uma fase, mas mesmo assim, para mim, parecia não ter fim. Sempre conversava com ela e a deixava no cantinho do castigo quando ela batia. Hoje, sinto que está entendendo e começando a respeitar mais. Percebo que ficou mais calma e doce. E já posso visitar amigos, sem medo de passar por situações complicadas.

Karin Poletine, 30 anos, mãe de Sophie,2

MENOS ATENÇÃO

Minha caçula teve uma fase de agredir colegas e até adultos – às vezes gratuitamente. Sempre a repreendíamos e, além de mandá-la bater em uma almofada quando estivesse brava, nós a deixávamos sem atenção por mais ou menos uma hora. Ela percebeu que só perdia ao ser violenta e agora se controla.

Verônica Garcia, 36 anos, mãe de Amanda, 7 e Manuela,3

O QUE DIZ A ESPECIALISTA?

Nessa idade, a criança é mais impulsiva e tem uma autonomia física muito grande, mas ainda sem controle. O seu papel é ajudar sua filha a entender os limites.

Estimule atitudes doces e simpáticas, explique que não é legal bater e seja firme. É importante acalmar a criança sem gritar porque, se isso acontecer, só vai piorar o comportamento. Se for preciso, segure-a, sem machucar, para impedir que ela bata, e fale que é possível resolver de outro jeito. Uma das hipóteses para esse comportamento exacerbado é um ambiente estressante, seja em casa, na escola ou mesmo nas referências que ela vê na TV, ou falta de rotina.

Fique atenta ao que sua filha está vivendo e esteja ao lado dela para passar seus valores.

Silvana Rabello, Psicanalista Infantil e Professora da PUC – SP.

Publicação: Revista Crescer, edição de Janeiro de 2013.