Batizado de capoeira

Batizado de Capoeira – Tradição e Contemporaneidade

Entre gingas e berimbaus a meninada da Vila da criança participou de mais um batizado de Capoeira. Esta foi a 12ª edição de uma festa que reuniu mais uma vez grandes mestres desta arte brasileira.

Foi muito bem explicado que o termo Batizado foi uma apropriação feita por um antigo mestre, o Mestre Bimba. Lá pelos idos de 1930 ele dizia que o aluno, ao entrar na roda pela primeira vez, estava “batizado”, mas nada tem de religioso.

Aqui na Vila, tudo começa no maternal II, quando a criançada imita animais como o macaco, o sapo, o caranguejo e outros. Aprendem que a ginga é uma maneira de sempre ficar com o pé atrás, coisa típica de brasileiro, mineiro então…

No maternal III a coisa vai ficando ainda mais séria, o corpo vai compreendendo a maleabilidade fundamental para relacionar num mundo tão dinâmico. Jogar com colegas diferentes faz com que os capoeiristas aprendam a respeitar o outro e interagir com amigos distintos, independentemente de preferências.

Já nos períodos o jogo da Capoeira começa a aparecer e se parecer ainda mais com a maneira como os adultos o fazem. O diálogo corporal entra em cena neste desafio de perguntas e respostas gestuais. Daí a musicalidade própria da arte ajuda a colocar para fora a coreografia espontânea que cada um foi desenvolvendo dentro do seu tempo, dentro do seu ritmo próprio.

Para prestigiar a turma, renomados mestres estiveram presentes. Dentre eles o Mestre Suassuna, o mestre dos mestres. Começou capoeira na década de 50 e, em 1967, fundou o grupo Cordão de Ouro, em São Paulo. Milhares de mestre passaram por sua escola. Entre eles os mestres Sarará – aquele do cabelo de minhoca. Também os mestres Ponciano, Xavier, Sampaio, Zefá, todos da turma de 1988, formados pelo mestre Suassuna. Outros convidados também marcaram presença, vindos do interior do estado, como Rio Casca, Viçosa, Itaúna e até um mestre do Rio de Janeiro. Todos para conhecer e valorizar os pequenos que deram um show de Capoeira.

Os mestres ficaram impressionados com um dos fundamentos da Capoeira que já é trabalhado desde tenra idade, o momento de terminar o jogo. O berimbau que comanda a roda e, quando é para terminar o jogo há um toque específico. O Contramestre Formiga pediu que os tocadores o fizessem. Sem demora, as crianças deram um abraço. “Alguns adultos não conseguem ouvir o berimbau e jogar ao mesmo tempo, mas as crianças já o fazem com propriedade” – disse o mestre Suassuna.

Ao final, os convidados e todos os pais foram brindados pelas crianças do 2º período que cantaram uma das músicas de Capoeira: “Eu sou Capoeira sim sinhô, eu tenho uma família de ouro, a Capoeira é a minha vida, e a roda é o meu tesouro…” Foi emocionante ver como as crianças já aprenderam a valorizar nossa arte.

Para mim, que comecei este trabalho há 12 anos, fica sempre uma grande saudade desta escola que acolheu a Capoeira no currículo e que oportunizou aos alunos mais opções de conhecer suas possibilidades corporais, relacionais e cognitivas. A Capoeira e o Grupo Cordão de Ouro agradecem especialmente às famílias pela confiança. À Vila da Criança, simplesmente não encontramos palavras para demonstram o quanto valorizamos esta parceria. Muito obrigado!

Mestre Fuinha

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